Coronavírus: um caso sem precedentes, com consequências sem precedentes, e necessárias soluções, também, sem precedentes.

Em que momento, ou em qual situação que um vírus, incluso o coronavírus, não irá representar nenhuma ameaça para uma pessoa?

Apenas quando essa pessoa for imune ao vírus.

Claro que estando em isolamento irrestrito estará livre do contágio ou no isolamento social com poucas possibilidades de ser contaminada pelo vírus, mas essas são condições transitórias, pois uma vez que a pessoa entre em contato com o vírus, quando voltar ao convívio normal, possível, será contaminada.

Como uma pessoa fica imune?

São duas possibilidades:

  • Contrair o vírus: ao contrair o vírus o sistema imunológico dessa pessoa cria anticorpos e a torna imune;
  • Sendo vacinada: uma vacina com o vírus atenuado faz com que o organismo reaja, sem os sintomas graves, gere anticorpos e a torne imune.

No entanto, note, que apenas por essa ótica, a variável “tempo” não influencia em nada. Pouco muda ou nada muda se a pessoa contrair o vírus agora ou daqui um mês, imaginando que sua condição de saúde se mantenha estável ou igual, agora ou daqui um mês.

E o que acontece se uma pessoa contrair o vírus?

Temos 3 possibilidades e de acordo especificamente à condição individual de cada pessoa (genética, estado de saúde, idade, sistema imunológico e doenças preexistentes):

  1. Fica assintomática: ou seja, não apresenta nenhum sinal físico que contraiu o vírus, e depois de, aproximadamente, 14 dias estará imune, pois seu sistema imunológico criou anticorpos;
  2. Fica sintomática, mas não necessita de cuidados médicos: os sintomas são de tal monta que são mais leves e não há indicação para internação;
  3. Fica sintomática e tem indicação para a internação.

Se for a condição 3 – sintomática e necessita de internação, o que acontece com essa pessoa?

Aqui também temos três possibilidades:

  1. Recebe todos os cuidados médicos: se recupera, fica imune e volta a viver normalmente;
  2. Recebe todos os cuidados, mas não supera e vem a óbito: aqui temos a maioria dos casos de pessoas que pertencem aos grupos de risco;
  3. Não recebe cuidados, não supera e vem a óbito.

Se for a condição 3 – não recebe cuidados, não supera e vem a óbito:

O motivo para alguém não receber cuidados e vir a óbito, levando em conta o coronavírus que tem altíssima taxa de transmissibilidade é o sistema de saúde não ter condição de atendê-lo, por estar totalmente tomado com muitos casos, e, portanto, com falta de leito, respiradores e/ou falta de médicos e enfermeiros. Agora é fundamental levar em conta a variável “tempo”. Ocorre que se tivermos muitos casos ao mesmo tempo, o sistema de saúde não terá condições de atender uma pessoa que, caso fosse atendida iria superar e recuperar-se, no entanto pela falta de leitos, cuidados etc., virá a óbito. Então a questão do achatamento da curva, ou seja, espaçar a ocorrência de casos é importante. Exemplo: é diferente ter 1.000 casos em um dia, do que ter 50 casos em cada dia por 20 dias, pois nessa condição as pessoas irão se recuperando e liberando vagas para o próximo infectado.

Portanto por essa ótica é fundamental o afastamento social, evitar aglomerações, manter distância ao menos de 1 metro, pois a contaminação se dá, como se sabe pelo:

  • Toque do aperto de mão (a principal forma de contágio)
  • Gotículas de saliva
  • Espirro
  • Tosse
  • Catarro
  • Objetos ou superfícies contaminadas como celulares, mesas, maçanetas, brinquedos e teclados de computador etc.

O isolamento social, além desta questão da sobrecarga no sistema de saúde é importante quando se leva em conta o conceito do efeito rebanho:

Retomando ao início deste texto, ou seja, uma pessoa estará imune após contrair o vírus, criar anticorpos e superar a infecção, e na falta atual de uma vacina (que virá em não menos de um ano) essa é a única opção que temos hoje. E em um determinado momento no futuro a grande maioria das pessoas passarão por esse processo, e mais, quando, entre 50 a 80% (ainda não se tem certeza do número exato) da população estiver desenvolvido sua imunidade pessoal o vírus não mais se propagará (efeito rebanho).

Mas o confinamento social traz consequências.

E talvez a mais importante é que o sistema econômico sofre e sofrerá impacto sem precedentes. Uma grave crise financeira: recessão, falta de empregos, falta de produção, etc. e isto também poderá ter consequências como possível aumento de violência entre outras.

Temos então o conflito Saúde x Economia, e aparentemente eles são incongruentes, pois, se se favorece um, piora o outro. As pessoas que lidam com a saúde, via de regra, são favoráveis ao isolamento social e as pessoas da economia, via de regra, são desfavoráveis ao isolamento social.

O que fazer?

O isolamento social é fundamental. Mas qual tipo de isolamento, visto que podemos pensar em dois modelos: um confinamento irrestrito, e outro um confinamento analítico: No primeiro, como o feito na cidade italiana de 3.000 habitantes Vò, perto de Veneza – toda a população posta em confinamento compulsório, geral e irrestrito, e neste modelo muito próximo que estamos adotando aqui no Brasil. No segundo, o confinamento analítico – um confinamento, entendemos, mais crítico no sentido de avaliar e decidir quem deverá ser isolado e quem poderá dar continuidade na produção, serviço e comércio.

Como em tudo na vida, jamais haverá de se tratar “disso ou daquilo” e sim “disso e daquilo” o equilíbrio, o bom senso, haverá de dar uma solução dentro desta ideia de como proteger a saúde a vida das pessoas e ao mesmo tempo proteger a questão econômica destas mesmas pessoas.

Os governos já sinalizam e colocam em prática ações governamentais que irão reduzir o impacto econômico imposto pelo isolamento social, isso é importante, mas temos uma etapa anterior a ser executada que é encontrar um modelo de confinamento analítico – um confinamento inteligente, racionalizado, sobrepesado, pensado, refletido, discutido, com bom senso e que acomode em alguma medida a necessidade de harmonizar “saúde e economia”. E o mais breve possível. Algo sem precedentes até aqui.

Mas não seria essa nossa melhor condição de seres humanos: a capacidade de pensar e encontrar soluções? Indubitável!

Nossa contemporânea forma de nos adaptarmos… seguirmos em frente… vivos!

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